forevermore

''Há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite por vezes quando todos estão a dormir. Digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso não estejas triste. Depois, coloco-o de volta, mas ele canta um pouco
lá dentro, não o deixei morrer de todo." Charles Bukowski

Um dia, ninguém vai lembrar que ela existiu, escrevi no caderno, e depois, que eu existi. Porque as lembranças também desmoronam. Então não nos resta nada, nem mesmo um fantasma, apenas sua sombra. No começo, ela tinha assombrado meus sonhos, mas, agora, apenas algumas semanas depois, já estava me escapulindo, desmoronando em minha lembrança e na lembrança de todos nós, morrendo novamente.


Quem é você, Alasca?

Criticam tudo, e quero dizer mesmo tudo, sobre mim: o meu comportamento, a minha personalidade, as minhas maneiras; cada centímetro de mim, da cabeça aos pés, dos pés à cabeça, é objecto de mexericos e debates. São-me constantemente lançadas palavras duras e gritos, embora eu não esteja habituada a isso. Segundo as autoridades definidas, eu devia sorrir e aguentar.


O Diário de Anne Frank. 

Me canso fácil dos preciosos intelectos que precisam cuspir diamantes toda vez que abrem as suas bocas. Eu me canso de ficar batalhando por cada espaço de ar para o espírito. É por isso que me afasto das pessoas por tanto tempo, e agora que estou encontrando as pessoas, descubro que preciso voltar para a minha caverna.


Charles Bukowski, Notas de um velho safado. 

Não tem como não notar esse misto de cores sobrevoando nossas cabeças, olhem, que magnífico! Tenho uma preferência peculiar de observar as cores na luz do seu olhar, vazio, discreto e sozinho. Deslumbrando um café bem quente pra acalmar meu coração em desalento, evito o açúcar, que é pra não iludir o paladar. O amargo se torna brando, e eu quase que esqueço do afeto. Pois de tanto adoçar, adoeceu.

Caio Lacerda.


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O sentido, acho, é a entidade mais misteriosa do universo. Relação, não coisa, entre a consciência e a vivência e as coisas e os eventos. O sentido dos gestos. O sentido dos produtos. O sentido do ato de existir. Me recuso a viver num mundo sem sentido. Estes anseios/ensaios são incursões conceptuais em busca do sentido. Pois isso é próprio da natureza do sentido: ele não existe nas coisas, tem que ser buscado, numa busca que é sua própria fundação. Só buscar o sentido faz realmente sentido. Tirando isso, não tem sentido.


Paulo Leminski. 

Eu sei que tem pessoas que dizem que essas coisas não acontecem, e que isso serão apenas histórias um dia. Mas agora nós estamos vivos. E nesse momento, eu juro. Nós somos infinitos.


As vantagens de ser invisível.