forevermore

"Vivia em tanta mesmice que de noite não se lembrava do que acontecera de manhã.
Vagamente pensava de muito longe e sem palavras o seguinte: já que sou, o jeito é ser."

o pássaro pode voar 
mas por vontade
fica no chão:
isso é liberdade. 


Se vocês pudessem ouvir os pensamentos dos outros, escutariam coisas que são verdadeiras, assim como coisas que são completamente sem sentido. E não saberiam distinguir uma das outras. Isso levaria vocês à loucura. O que é verdade? O que não é? Um milhão de ideias, mas o que elas significam?


Os 13 porquês. 

Acredito (e insisto nisso) que a gente sempre deve se colocar no lugar do outro. Ser menos egoísta, mais preocupado com o que o outro está pensando, fazendo, querendo. É evidente que você não vai parar a sua vida por causa da outra pessoa, mas se alguém é importante para você um pouco de cuidado e atenção sempre caem bem.


Clarissa Corrêa.   

Às vezes temos pensamentos que nem mesmo a gente entende. Pensamentos que nem são tão verdadeiros – que não são realmente como nos sentimos –, mas que ficam rondando nossa cabeça porque são interessantes de pensar.


Os 13 porquês


Jim Morrison and Pamela Courson photographed by Edmund Teske, 1969.

They were like Romeo and Juliet. They fought like hell, but they were meant to be together.” - John Densmore

“No fim do dia só me sobra a poesia”


Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.


Pablo Neruda

Quando a noite se consuma, perfeita, sem lua nem estrelas, sem encantos, sem nada, salto da pedra e vou descendo a estradinha de terra batida sítio adentro. A estradinha segue reta até encostar no riacho e se envolver com ele. Mas não escuto o riacho. Na verdade, já não sei se estou pisando a terra batida ou algum caminho vegetal. Mais provável do que eu me extraviar no sítio, seria o matagal ter invadido a estrada, e o riacho evaporado. Mas ali há uma música que me desnorteia o tempo inteiro. Demoro a admitir, pois nunca houve música no sítio; mas há músicas, muitas músicas ocupando todos os espaços, com a substância que a música no escuro tem. É quase resvalando nelas que chego à ponte de tábuas sobre o riacho. Atravesso a ponte, e da outra margem ouve-se apenas o riacho, a água absorvendo as músicas. Há uma luzinha intermitente na casa principal do sítio, mas não preciso dela para chegar ao olho do vale, onde eu pensava que nascia a noite. E não ando longe do meu destino quando escuto o primeiro rosnado. No ermo em que estou, só posso fugir em direção à casa, e o volume crescente dos latidos dá-me a impressão de estar correndo ao encontro dos cães. E por fugir ao contrário, sinto-me duas vezes mais veloz; imagino romper a matilha como dois trens que se cruzam. Atiro-me contra a
porta da frente, que está travada por dentro com cravelho. Contorno a varanda, e os cães emudecem assim que invado a cozinha. O velho sentado no tamborete faz um grande esforço para erguer a cabeça, e é o tempo que eu necessitava para reconhecer nosso antigo caseiro. Deixou crescer os cabelos que, à parte as raízes brancas, parecem ter mergulhado num balde de asfalto. A pele do seu rosto resultou mais pálida e murcha do que já era, e ele me fita com um ar interrogativo que não consigo interpretar; talvez se pergunte quem sou eu, talvez me pergunte se a tintura lhe cai bem.


Chico Buarque